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dc.contributor.advisorChilundo, Baltazar-
dc.contributor.authorChissone, Isabel Alfredo-
dc.date.accessioned2026-05-15T10:44:46Z-
dc.date.issued2026-03-
dc.identifier.urihttp://www.repositorio.uem.mz/handle258/1604-
dc.description.abstractINTRODUÇÃO: A profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) constitui uma estratégia importante de prevenção do HIV entre populações-chave, incluindo mulheres trabalhadoras de sexo. Contudo, persistem desafios relacionados com a adesão à PrEP, as percepções sobre a sua eficácia e a forma como essas percepções influenciam práticas associadas à exposição a outras infecções de transmissão sexual (ITS). A compreensão dessas percepções e práticas é fundamental para fortalecer as estratégias de prevenção combinada e melhorar a eficácia das intervenções dirigidas a populações vulneráveis. Neste contexto, o presente estudo teve como objectivo examinar como a adesão à PrEP é percebida e vivida por mulheres trabalhadoras de sexo e de que forma essas percepções e práticas se articulam com contextos de exposição a outras infecções de transmissão sexual. METODOLOGIA: Foi realizado um estudo qualitativo retrospectivo, baseado na realização de entrevistas individuais e discussões em grupo focal. A selecção dos participantes foi intencional, visando incluir diferentes actores envolvidos na implementação e utilização da PrEP. Participaram no estudo mulheres trabalhadoras de sexo que aderiram ou não à PrEP, profissionais de saúde do Centro de Saúde da Matola C e membros da associação Ungagodoli, organização comunitária responsável por actividades de mobilização e apoio à adesão à profilaxia. Os dados foram analisados através de análise de conteúdo, permitindo identificar percepções, experiências e práticas associadas à utilização da PrEP e à exposição a infecções de transmissão sexual. RESULTADOS: Os resultados mostram que o perfil sociodemográfico das mulheres trabalhadoras de sexo participantes no estudo é heterogéneo, embora predomine o perfil de mulheres jovens, solteiras, com escolaridade básica ou técnica e dedicadas exclusivamente ao trabalho sexual. As atitudes em relação à PrEP revelaram, de modo geral, valorização da adesão como estratégia de prevenção do HIV, embora persistam dúvidas e resistências associadas à aparência dos medicamentos, à percepção da sua eficácia e ao receio de estigma social ou reacção de parceiros. As percepções sobre a PrEP demonstraram evolução ao longo do tempo, particularmente após as actividades de mobilização e sensibilização realizadas pela associação Ungagodoli em colaboração com o Centro de Saúde da Matola C. A PrEP passou a ser predominantemente percebida como um mecanismo de prevenção do HIV, embora tenham sido também mencionadas limitações relacionadas com a necessidade de testagem regular, deslocação aos serviços de saúde, estigma e possibilidade de interrupção do tratamento. Foram igualmente relatados casos de infecções de transmissão sexual entre mulheres usuárias da PrEP, incluindo gonorreia, sífilis, clamídia e tricomoníase, bem como casos de reincidência. Esses relatos sugerem a persistência de comportamentos e contextos de risco, tais como o não uso consistente de preservativos, multiplicidade de parceiros, dificuldades na negociação do uso do preservativo com clientes e parceiros, consumo de álcool ou drogas e procura infrequente de serviços de diagnóstico e tratamento de ITS. CONCLUSÕES: Os resultados indicam que as percepções e práticas associadas à utilização da PrEP entre mulheres trabalhadoras de sexo são influenciadas por um conjunto de factores individuais, relacionais e estruturais. Embora a PrEP seja amplamente reconhecida como uma estratégia eficaz de prevenção do HIV, persistem crenças, percepções e condições contextuais que podem influenciar comportamentos relacionados com a exposição a outras infecções de transmissão sexual. A relação entre a utilização da PrEP e a ocorrência de ITS revela-se complexa e mediada por factores sociais, percepções individuais e dinâmicas relacionais, não sendo possível afirmar que a adesão à profilaxia esteja directamente associada ao aumento ou à redução dessas infecções. Os resultados sugerem a necessidade de fortalecer estratégias de prevenção combinada que integrem a promoção da PrEP com intervenções educativas, comunitárias e estruturais voltadas para a redução do risco e para o reforço do acesso a serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento de ITS entre mulheres trabalhadoras de sexo.en_US
dc.language.isoporen_US
dc.publisherUniversidade Eduardo Mondlaneen_US
dc.rightsopenAcessen_US
dc.subjectProfilaxia pré-exposiçãoen_US
dc.subjectAdesão à PrEPen_US
dc.subjectPercepções das mulheresen_US
dc.subjectInfecções de transmissão sexualen_US
dc.subjectMulheres trabalhadoras de sexoen_US
dc.titleAdesão à Profilaxia Pré-Exposição para HIV e percepções de exposição a outras infecções de transmissão sexual entre mulheres trabalhadoras de sexo na Província de Maputoen_US
dc.typethesisen_US
dc.description.embargo2026-05-
dc.description.resumoINTRODUCTION: Pre-exposure prophylaxis (PrEP) is an important HIV prevention strategy among key populations, including female sex workers. However, challenges remain regarding adherence to PrEP, perceptions of its effectiveness, and how these perceptions may influence practices related to exposure to other sexually transmitted infections (STIs). Understanding these perceptions and practices is essential for strengthening combined prevention strategies and improving the effectiveness of interventions targeting vulnerable populations. METHODOLOGY: This study aimed to examine how PrEP adherence is perceived and experienced by female sex workers and how these perceptions and practices are articulated with contexts of exposure to other sexually transmitted infections. A retrospective qualitative study was conducted using individual interviews and focus group discussions. Participants were purposively selected and included female sex workers who had adhered to PrEP and those who had not, as well as health professionals from Matola C Health Centre and members of the Ungagodoli association, a community-based organization involved in mobilization and support for PrEP uptake. Data were analysed using content analysis to identify perceptions, experiences, and practices related to PrEP use and exposure to sexually transmitted infections. RESULTS: The findings revealed a heterogeneous sociodemographic profile among female sex workers, although most participants were young women aged 18–35 years, predominantly single, with basic or technical education, and mainly engaged in sex work as their primary occupation. Attitudes towards PrEP were generally positive, with many participants recognizing its role in HIV prevention. Nevertheless, some concerns persisted, including doubts about the medication’s effectiveness, fears of stigma, partner reactions, and the appearance of the medication. Participants also reported cases of sexually transmitted infections such as gonorrhoea, syphilis, chlamydia, and trichomoniasis, including recurrent infections. These reports suggest the persistence of risk contexts, including inconsistent condom use, multiple partners, difficulties negotiating condom use with clients, substance use, and limited use of STI diagnostic and treatment services. CONCLUSIONS: The study concludes that perceptions and practices related to PrEP use among female sex workers are shaped by a combination of individual, relational, and structural factors. While PrEP is widely recognized as an effective strategy for HIV prevention, beliefs about its protective role and broader social contexts may influence behaviours related to exposure to other sexually transmitted infections. These findings highlight the importance of strengthening integrated prevention strategies that combine PrEP promotion with community-based interventions, health education, and improved access to STI prevention, diagnosis, and treatment services.en_US
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